O restaurante i Latina em Buenos Aires começou como um endereço secreto de jantares à portas fechadas no coração de Palermo Soho num pedacinho chamado Villa Crespo. Logo os irmãos colombianos Santiago, Camilo e Laura Macías o transformaram num dos restaurantes mais concorridos da cidade. Figurando na lista dos 50 melhores restaurantes latino-americanos.

Hoje o endereço não é mais secreto mas ainda guarda uma culinária de técnica contemporânea e extremamente regional no uso dos ingredientes.

O menu é fechado do i Latina, eu sempre faço uma semi greve de fome o dia todo para poder aproveitar bem a noite ;-). Além dos pratos são servidos alguns outros mimos durante o jantar.

Fomos de harmonização de vinhos claro, é a oportunidade de provar alguns dos melhores vinhos argentinos por um valor muito bom.

Mas vamos deixar de lenga-lenga e ver as fotos?

A Casa

O i Latina fica pequena e antiga casa, toda branca, com um pátio charmoso na frente, luzinhas nas árvores. Grandes portas e janelas de ferro forjado ou seja tudo de mais encantador.

O interior é simples e aconchegante nada parecido com a frieza da maioria dos restaurantes premiados. A cozinha é completamente aberta para o salão, eu amo sentar de frente para elas e acompanhar todo o movimento dos cozinheiros.

A Comida

A noite começou com um shot de melancia ultra refrescante, um trio de arepas, cada uma feita à partir de um tipo de milho diferente. Crocantes e bem recheadas estavam um delícia. Em seguida a fantástica tábua de pães e manteiga com limão. O de milho e o de banana são algo de extraordinário, o de chocolate quase salgado queria trazer pra casa!

O primeiro prato foi Carimañola, um pastel de mandioca frito, com carne de cordeiro desfiada e tempero de leite de côco e coentro. Gente, eu não gosto de coentro mas esse estava muito bem dosado e suave, bem pouquinho mesmo <3. O segundo prato Ceviche Nikkei com linguado, camarões defumados e polvo caramelizado. Nesse o leche de tigre feito com influências japonesas estava incrível e super apimentado, eu amo mas tem gente que sofre com tanto ardor.

O terceiro prato foi o Peixe do dia com encocado, crocante de arroz e côco, pamonha de milho e anis. As várias texturas de côco se completavam perfeitamente. O quarto prato Codorna com mole de Oaxaca, emulsão de abacate picante e tortilha de milho roxo. A codorna desmanchava de tão suculenta e o mole típico mexicano foi perfeito, de acompanhamento pão de queijo!!! Sim, mineiro, quase chorei de emoção!

O quinto e na minha opinião o melhor prato da noite, Bondiola de cerdo ao café colombiano e à panela. Bandiola chamamos de paleta aqui no Brasil. Agora imaginem uma carne super bem cozida porém extremamente suculenta e saborosa? Estava inexplicável de tão boa, o molho de café surpreendente, suave e saboroso, os legumes perfeitos.

restaurante i Latina Buenos Aires

As sobremesas, Trufa de cacau equatoriano com escamas de sal grosso da Patagônia e azeite de oliva. Muito macia e saborosa, o azeite deixou ela mais aromática, gostei da experiência. O sétimo prato, Sorbet de batata doce, creme de queijo de cabra, casquinhas de limão, sésamo crocante e merengue de Flor de Jamaica. Uma pequena e delicada obra de arte para encerrar um jantar perfeito. E pra terminar o café Yumai Estrella Dorada 100% Colombiano.

Bônus Track – Os Vinhos

Todos os vinhos estavam excepcionais com excessão do Pyros Syrah 2014 que não me agradou nem um pouco, achei um vinho bem pesado e talvez muito complexo.

Já o Primeras Viñas Malbec 2013 foi o melhor e olha que Malbec não é minha uva preferida, ele é super aromático, frutas vermelhas, chocolate e baunilha compõe os aromas. E tem boa persistência e acidez.

Os dois de sobremesa estavam perfeitos sinceramente não consegui escolher o melhor, o Caelum Nuova Dolce Appasito Malbec, 2013 ou o Laborum Torrontés de Outono 2015 são vinhos complexos, aromáticos e de ótima persistência.

i latina buenos aires

restaurante i Latina em Buenos Aires

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Vocês já sabem da minha paixão por museus casas não? O Museo Nacional de Arte Decorativo de Buenos Aires foi uma grata surpresa. Consegui visita-lo durante minha viagem relâmpago da semana passada.

O museu abre diariamente às 14:00, as entradas custam 20 pesos (achei muito barato), fiz um tour guiado gratuito com duração de 30 minutos. Muito bom para quem quiser saber um pouco mais sobre a família e a construção.

O museu é a antiga residência da família de Josefina de Alvear e seu marido Matías Errázuriz Ortúzar. O palacete situado na Avenida del Libertador foi construído entre os anos de 1906 e 1916 durante o período que a família morou em Paris em missão diplomática.

A construção caracteriza um típico hôtel particulier, palacetes urbanos de uso familiar comumente construídos por nobres e famílias da alta burguesia parisiense. A família Alvear Errázuriz trouxe da França e Italia todos os materiais usados na construção. Mármores raros, madeiras, metais, elevadores, modernos sistemas de aquecimento e aspiração central dos ambientes, além de todos artesãos, arquitetos, paisagistas e decoradores europeus para a construção.

Tapeçarias Gobelins, esculturas de Rodin, pinturas de Manet, El Greco são só um pequeno exemplo do que esse palacete guarda. O Gran Hall foi inspirado nos salões da Inglaterra do século XVI da dinastia Tudor. Os salões destinados às recepções foram decorados em diversos estilos franceses dos séculos  XVII e XVIII, o mobiliário todo trazido da Europa.

A visita só não foi melhor porque alguns ambientes do palacete estão fechados por falta de verba para conservação e contratação de funcionários. O museu é administrado pelo governo argentino.

Bonus Track:

Almoce ou faça uma pausa para um café com doce no gracioso Croque Madame instalado no jardim do museu. O ambiente é um encanto e a comida bem gostosa. Saladas, sanduíches diversos, massas e vinhos estão no cardápio. As mesas externas são uma delícia e a trilha sonora ótima! Por mim teria ficado ali a tarde inteira de bobeira.

E aqui o snapchat da visita. Ahhh não se esqueçam de se inscrever no canal 😉

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